Túmulos de monarcas da época do Rei Artur são encontrados na Grã-Bretanha, diz estudo
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Pesquisadores acreditam que podem ter identificado dezenas de túmulos de reis britânicos que viveram durante a era pós-romana, entre os séculos V e VI. De acordo com a lenda, essa foi a época em que pode ter vivido o mítico Rei Artur. As sepulturas foram encontradas no País de Gales e nas regiões inglesas da Cornualha, Devon e Somerset.
Enterros cristãos
O estudo que relata as descobertas foi assinado por Ken Dark, professor emérito de arqueologia e história da Universidade de Reading, no Reino Unido. Sua pesquisa identificou 65 túmulos que podem ter sido usados para enterrar reis britânicos pós-romanos e suas famílias. Todas as sepulturas foram encontradas em locais onde reinos celtas britânicos floresceram após o fim da ocupação do Império Romano, em 410 d.C.
New research uncovers the likely long-lost tombs of up to 65 British kings and other senior royals from the #PostRoman 'dark ages' era. https://t.co/FTIIpe378c #RomanBritain #Archaeology #RomanArchaeology #DarkAges pic.twitter.com/zW03fxlcJG
— Roman Britain News (@Roman_Britain) March 19, 2022
Dark suspeita que os túmulos sejam de reis devido a diferenças sutis em relação a outras sepulturas próximas que datam do mesmo período. Ao contrário da maioria delas, os túmulos reais são cercados por valas retangulares ou quadradas e parecem ter tido portões, calçadas e cercas. Eles também apresentam evidências de que a sua volta havia postes de madeira e poços revestidos de pedra.
Na era pós-romana, os britânicos continuaram a governar nas regiões onde hoje se situam o oeste da Inglaterra, o País de Gales e partes da Escócia. Ao mesmo tempo, os invasores anglo-saxões se estabeleceram no leste. Mas os rituais funerários praticados pelos dois povos eram bastante diferentes. Segundo Dark, enquanto os governantes anglo-saxões da época eram enterrados em sepulturas suntuosas, recebendo presentes valiosos, os britânicos cristãos consideravam esse costume como uma prática pagã.

Dark sugere que os túmulos reais britânicos ainda não haviam sido identificados justamente porque são mais simples do que os anglo-saxões. O pesquisador acredita que os celtas consideravam anticristã a prática de ostentar riqueza ao enterrar seus governantes. Em vez disso, membros de sua realeza seriam enterrados em sepulturas simples e sem adornos, ao lado de cristãos comuns.
As lendas do Rei Artur, que lutou contra os saxões e era supostamente britânico e cristão, se passam nesse mesmo período pós-romano. Embora a maioria dos historiadores acredite que ele era apenas um mito, Dark acha possível que ele tenha realmente existido, pois o nome "Artur" se tornou popular entre as realezas britânica e irlandesa no século VI. Talvez isso tenha acontecido como forma de homenagem ao governante.