Santuário do Falcão: incrível templo descoberto no Egito abrigava ritual desconhecido
Durante escavações nas ruínas de um complexo religioso na antiga cidade portuária de Berenike, no Egito, arqueólogos espanhóis fizeram uma descoberta surpreendente. Lá, eles se depararam com um templo onde encontraram evidências de um ritual previamente desconhecido. O local de adoração foi batizado pelos pesquisadores de "Santuário do Falcão".
Falcões decapitados
De acordo com os arqueólogos, o templo data do Período Romano Tardio (entre os séculos IV e VI d.C.). O local foi chamado de "Santuário do Falcão" pois lá eles encontraram os restos mortais de cerca de 15 falcões (a maioria deles enterrados sem as cabeças), além de ovos das aves. Foi a primeira vez que evidências dessa prática ritualística foram descobertas.
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— Universitat Autònoma de Barcelona (@UABBarcelona) October 7, 2022
Segundo os pesquisadores, o santuário data de um período em que a cidade parecia estar parcialmente ocupada e controlada pelos blêmios, um grupo nômade da região núbia que estava expandindo seus domínios pelo deserto oriental do Egito. A descoberta dá uma nova perspectiva sobre as práticas religiosas desse povo e como eles as fundiram com o sistema de crenças egípcio. “Os achados são particularmente notáveis e incluem oferendas como arpões, estátuas em forma de cubo e uma estela (monumento monolítico) com indicações relacionadas a atividades religiosas", disse Joan Oller, pesquisador da Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha.
A estela contém uma curiosa inscrição, onde se lê: “É impróprio ferver uma cabeça aqui”. Segundo os arqueólogos, a mensagem alerta que os fiéis são proibidos de ferver cabeças de animais dentro do templo, uma atividade considerada profana. "Todos esses elementos apontam para intensas atividades rituais combinando tradições egípcias com contribuições dos blêmios, sustentadas por uma base teológica possivelmente relacionada ao culto ao deus Khonsu (que às vezes é mostrado com cabeça de falcão)”, afirmou Oller.